Arquivos

Domingo

Eu senti um movimento na cama e, no sono leve, acordei. Eu estava de costas para ele e ali fiquei. Ele beijou minha cabeça, desligou o rádio e se levantou. Dali a pouco senti um cheiro de cigarro que, embora não me incomode – apesar de eu não ser fumante -, não tem como passar batido. Virei para o outro lado e notei que ele estava em pé, no jardim de inverno, olhando sem enxergar e pensamento loooonge… Como é gostoso, meu Deus. No que poderia estar pensando?

“Bom dia!”, falei. Ele me olhou de um jeito meigo, como se estivesse me admirando. “Bom dia, Cris, dormiu bem?” “Aham”, um aham manhoso enquanto eu me espreguiçava. Olhei na parede do quarto e o relógio apontava mais de meio-dia. Caraca, a moça da recepção disse que o período ia até as 13hs… “Nossa, já passou do meio-dia, Márcio…” E ele emendou: “Relaxa, vou pedir por outro período.” Ele pegou o telefone e começou a falar com o pessoal da recepção. Tudo o que eu conseguia fazer era pensar que aquele domingo mal começava e já estava me surpreendendo. Ele desligou o telefone, eu sorri. Bobo pensamento adolescente, mas iríamos ficar mais tempo juntos e a sensação me fez bem à beça. “Tudo bem prá você, Cris?” “Bem, baby? Eu acho é ótimo!” e rimos juntos. “Mas preciso dar uma palavrinha com a minha mãe.” “Tuuudodobem.”

Peguei meu celular e, desta vez, fui eu quem seguiu para o jardinzinho. Liguei para a minha mãe, que atendeu no 2º toque. “Oi, Cristiane, bom dia, filha!” “Bom dia, mãe. Tudo bem?” “Tudo. Vai demorar prá voltar prá casa, é isso?” “É, mãe. Um pouquinho.” “Filha… você quem sabe da tua vida. Só cuidado, ok? Beijo, te amo!” “Ok, Dona Vera. Também te amo! Tchauzinho.”

Eu desliguei, voltei para o quarto e olhei para o Márcio, que estava olhando o cardápio do motel. “Está com fome, Cris? Estou pensando em pedir café da manhã.” “Adoooooro, pode pedir um desses cheio de coisas?” “Claro!” Ele ligou novamente na recepção, enquanto fui em direção ao banheiro. Escovei os dentes, fiz xixi e abençoei a vida de quem inventou os lencinhos higiênicos umedecidos. Quando saí do banheiro, vi que ele terminava de escovar os dentes. Foi aí que o dia começou, de verdade.

Ele me agarrou e me deu um daqueles beijos que provocam reação automática. Em menos de 5 segundos lá estava eu, encharcada, mamilos rígidos, coração disparado, e uma vontade louca de foder. Ele colocou a mão nos meus cabelos e puxou minha cabeça para trás, começando a beijar o meu pescoço, subindo para a orelha, descendo para o meio dos peitos. Eu senti o seu caralho, duro, encostar na minha barriga.

“Agora, sim, bom dia, sua gostosa!” Sussurrando e ofegando, o meu “bom dia” de resposta veio à tona, junto com um “Me fode, Márcio. Te quero dentro de mim. Me fode, me fode!” Ele largou os meus cabelos e me levou, pelas mãos, para a cama. “Fodo, sim! E fodo agora. Deita, vai?” “Deito, sim, mas vai ter que segurar as minhas pernas lá em cima.” “Franguinho assado, é?” “Aham!”, e sorri para ele, que, sorrindo também, me respondeu um “Sua safada…” que, ai, caralho! Sou mesmo, sou mesmo!

Ele colocou a camisinha e enfiou aquela rola dura dentro de mim. Gemi! Caralho, como é gostoso. Caralho, caralho. “Caralho, caralho, tu é muito gostoso! Vai, me fode. Ai. Isso, assim!” “É assim que você gosta, safada?”, ele perguntou enquanto se movimentava em vai-e-vem. “É, desse jeito mesmo.”, respondi com cara de quem precisava até de mais ar prá respirar. Daquele jeito, socando fundo dentro de mim, cheguei a gozar duas vezes. Nas duas ele sorriu, aprovando. “Fica de quatro, Cris, fica?” “Fico, seu safado!” E me ajeitei, com a cabeça sobre os travesseiros, o bumbum empinado para cima.

Domingo

Ele se encaixou entre minhas pernas e, dando um tapa na minha bunda, fingiu-se mineirinho. “Eita, rabão bonito, sô!” O riso largou frouxo. Ele, então, segurou-me pelas ancas e enfiou o pau na minha buceta. Gemi alto. Ele se abaixou e, na direção do meu ouvido direito, falou baixo, porém imponente: “Geme, sua safada. Geme, porque eu vou te foder. Não era isso que você queria?” “Era, não. É! Me fode! ”, respondi. E ele me fodeu, feito cachorrinho, me presenteando com três deliciosos orgasmos, até o momento em que gemeu mais alto, gozou e, lançando-se para frente, abraçou-me como eu estava: bunda para cima, cabeça na altura da cama. Nesta hora, a campanhia do quarto tocou e ouvimos alguém colocando nossa refeição pela porta.

A história de “Cristiane e Márcio” será publicada um pouquinho por semana, Acompanhe por aqui  😉

Anúncios

O flyer

Acordei com um som do Ozzy tocando baixinho e distante. Pela janela, o sol fritava lá fora. Ao meu lado, na cama, aquele rabo lindo virado para cima, coberto pelo lençol branco em que dormimos, as covinhas do cóccix à mostra. Dormindo a Cristiane parecia um bibelô. Beijei sua cabeça, me levantei, prendi meu cabelo, desliguei o rádio e fui fumar na porta do “jardim de inverno”. Por que não só jardim, né, porra? Neste sol do cacete e eu indo pruma porra de jardim de inverno…

Cristiane Dormindo

Acendi o cigarro e comecei a me lembrar de tudo o que tinha acontecido até agora: o sexo que fizemos, os beijos que trocamos na balada, eu a avistando no balcão… e o flyer da festa sobre a mesa dela. Não, não foi uma coincidência eu estar ali ontem. Mas eu também poderia dar com os burros n’água: chegar lá e não encontrar a Cristiane, ou ela ter ido acompanhada por algum cara. Ainda assim, tentei.

Trabalhei na 6ª até mais tarde, tinha que fechar alguns assuntos que fariam parte da reunião entre minha equipe, nosso diretor e um novo fornecedor na 2ª-Feira às 08hs – e o material tinha que estar pronto. Saí de lá perto das 9 da noite, querendo morder o cotovelo de tanto cansaço e precisando de uma cerveja trincando de gelada. Quando passei pela mesa da Cristiane antes de tomar o último café na copa, notei o flyer ao lado do telefone dela, junto com outros papéis, Mexi – admito, coisa feia -, mas, se não tivesse sido por isso, bem provavelmente eu não estaria acordando com esta bela imagem ao meu lado agora.  Ela sempre me pareceu tão tímida que eu jamais teria uma abertura dentro do território da TWD.

“Bom dia”, a voz dela interrompeu meus pensamentos. Ela havia virado o rosto na minha direção, um sorriso de matar. E mesmo despenteada e maquiagem borrada do sono pós sexo, continuava linda como sempre. “Bom dia, Cris, dormiu bem?” “Aham”, ela disse se espreguiçando. “Nossa, já passou do meio-dia, Márcio…” “Relaxa, vou pedir por outro período.” Liguei na recepção: teríamos mais 6 horas juntos. O domingo começaria agora. Ela sorriu.

A história de “Cristiane e Márcio” será publicada um pouquinho por semana, Acompanhe por aqui  😉

A cavalgada

“Cris, senta aqui comigo”. O Márcio tinha se sentado na ponta da cama, indicando que eu sentasse ao seu lado esquerdo. Antes, tinha ligado o rádio naquela estação Rock que eu gosto, e deixado o volume baixinho. “Gostou do lugar?” “KCT, é tudo lindo!” “Sabe o que é mais lindo do que o lugar?” “O quê?” Eu não estava entendendo o jogo, mas estava servindo para quebrar a tensão que eu fiz o favor de instalar. “Olha prá cima.” O obedeci e ele disse: “Aquele casal ali é mais bonito do que este quarto”, ele disse apontando para o espelho, e continuou: “mas, com certeza, os dois não vieram prá cá prá ficarem comportados e vestidos deste jeito, né?” “Verdade”, eu disse.

Nos viramos de frente. Olhei em seus olhos, mas desviei o olhar. “Olha prá mim, Cris”, e o obedeci. Ele sussurrou em meu ouvido enquanto mordia minha orelha,  “Me dá mais daqueles beijos que estavam judiando de mim. Olha só como eu estou desde a hora em que te vi saindo do bar, no começo da noite…” Pegou a minha mão e me fez segurar seu pau por fora da calça. Uaaaau!  Que rola deliciosa! Se era boa ali, dentro da calça, imagine sem roupa, dentro de mim, na minha boca, na minha buceta… até suspirei. Apertei. Aí foi ele quem suspirou, e começamos a nos beijar de um jeito mais selvagem do que o fizemos durante toda a noite.

Ele desceu da minha boca para o meu pescoço, enquanto colocou a mão dentro do meu decote e começou a acariciar os meus seios, dando beliscadinhas de leve nos meus mamilos. A cada nova beliscada, eu gemia e ele olhava para mim, sorrindo e, novamente, me lançando aquele irresistível olhar de Capitu. Então ele afastou o meu decote, deixando meus seios à mostra, olhando para mim com-uma-cara-de-safaaaaaado que putaquemepariu3vezes! Não disse palavra, simplesmente desceu, em beijos, do pescoço para os meus seios. Enquanto beijava um, com a mão mexia no outro. E enquanto mordia um mamilo, beliscava de leve o outro. Eu estava toda melada.

Ele me levantou, tirou minha roupa, me deixando apenas de lingerie. “Que coisa linda! Você é gostosa, Cris, mais do que eu já imaginava.” Corei de novo, inferno. Mas sorri, e agradeci. Ele, então, me deitou de novo, colocou a mão por dentro da minha calcinha e começou a me masturbar de um jeito que, juro, nunca ninguém tinha feito até então. Os dedos pareciam que estavam em “U”, o polegar no meu grelo e o dedo médio massageando por dentro. Caralho, como aquilo era bom! Era muito bom! Gozei fácil, ali, pelo menos umas 4 vezes.

Entre uma mordida no lábio e um suspiro, sussurrei: “Me fode”, mas falei tão baixo que, quando ele disse “O que, Cris, repete, não ouvi”, não sei se estava dizendo a verdade ou querendo ouvir novamente. Respirei fundo, juntei todo o ar que meu pulmão conseguia reunir, olhei em seus olhos e disse, com propriedade: “Márcio, me fode. Agora!” “Aí, sim, Cris, gostei de ver. Vem cavalgar em mim, vem?”

É como se ele, sabendo exatamente do que gosto desde outros carnavais, tivesse ligado meu modo safada, e toda timidez que, até ali, tinha me comandado, tivesse se dissipado. Ele tirou toda a sua roupa – e, com ela, o meu fôlego também. Minha Nossa Senhora do Como É Gostoso Esse Márcio, viu? Rendi uns 10 segundos ali, admirando-o nu, e nitidamente o deixei sem graça. “Que foi? Vai me deixar encabulado assim…” “Gostoso!” Rimos de leve, e tirei o resto de pano que havia sobre mim.

Cavalgada

O pau dele parecia gritar pela minha buceta, tão duro que estava. Duro e perfeito! Ele colocou a camisinha, sentei sobre ele e, ah!, gememos juntos. E, enquanto ele gemeu, fechou os olhos. Ah, cacete, como foi lindo de ver! Então comecei a me movimentar, para a frente e para a trás, bem devagarzinho, e ele sorriu o sorriso mais safado desde que me beijou, aprovando minha cavalgada. “Isso, sua gostosa, senta na minha rola e me usa, vai!” Nossa, nem precisava pedir, eu queria me lambuzar. Eu estava transando com ele… e ele transando comigo, porra!

Ele levantou as mãos e começou a beliscar de leve os meus mamilos, enquanto não sabia se ficava me olhando ou se jogava a cabeça para trás para curtir, de olhos fechados, tudo o que estava sentindo. Eu só sei que estava olhando tudo, fechando os olhos às vezes, mas não querendo perder nenhum dos detalhes daquele feito do destino. Comecei a cavalgar mais rápido, e então mais rápido, e ele, então, segurou-me pela bunda, me impelindo a ir ainda mais rápido. Até que gozamos. Juntos. Fiquei espantada, aquilo não era tão comum para mim – não que nunca tivesse acontecido, mas era raro.

“Vem aqui, deita no meu braço”. Deitei, ele me virou e ficamos de conchinha. Depois disso, juntou as bebidas da noite toda, o relaxamento pós-foda e o sono. Eram 5h40 e não sei quem dormiu primeiro.

A história de “Cristiane e Márcio” será publicada um pouquinho por semana, Acompanhe por aqui  😉

Beijos na Nuca e Tensão Pré Foda

Fiquei dividida em querer ir embora logo e continuar por ali. Fazia tanto tempo que eu não saía para este tipo de balada que eu simplesmente não queria ir embora. E, para ser sincera, eu estava me divertindo à beça. Uma que, na minha opinião, eu estava beijando o cara mais tesudo daquele espaço. Segundo, admito, minha paixão por músicas anos 80 chega a ser irracional. Lembro-me da infância, das tardes de sábado em que mamãe cuidava da casa ouvindo aquelas músicas, dos dias úteis em que assistia Sessão da Tarde na casa da vovó Alpina. Naquela noite de sábado, nos braços daquele deus, eu estava vivendo algumas emoções fortes e muito distintas, todas sensacionais. Até que a casa foi esvaziando, o DJ já estava colocando músicas que eu não gostava, e os beijos com o Márcio já tinham melado minha calcinha por inteiro.

Por mim, sairíamos dali e iríamos prum motel qualquer, pulguento e cheio de puta e cheiro de perfume barato, só para foder até a hora de dar um bom horário para eu voltar para casa ou até eu ficar assada, o que viesse por último. Mas eu não tinha coragem de confessar isso para ele. Não que eu tivesse me julgando vulgar, mas porque eu já estava sofrendo por antecipação e não sabia como seria trombar com ele nos corredores da TWD na 2ªFeira. Imagine transando. “Mas, garota,” eu dizia para mim mesma “que diferença vai fazer? Vocês já ficaram, já vai ficar um clima diferente. Aproveita!”

Estava lá, entretida em meus pensamentos, quando ele me disse, se espreguiçando: “E aí, linda, vamos embora?“ “Vamos.” Sorri. Seguimos em direção ao caixa e, durante a fila, não trocamos palavra – apenas beijos.  Beijos molhados, com mordidas, algumas de leve, outras que pareciam querer arrancar a boca do outro. Beijos no pescoço, beijos na orelha, beijos na nuca… tínhamos mesmo que ir embora dali. Pagamos a conta, saímos da casa, seguimos em direção ao estacionamento.

Beijo na Nuca

Quando entramos no carro dele – um C3 Chumbo de bancos de couro e cheirando ao perfume dele  -, ele me perguntou, enquanto ligava o carro: “Cris, você precisa ir prá casa direto?” “Não tenho pressa, baby. Prá ser sincera… nem sei o que você vai pensar de mim com a minha resposta, mas acho que ir para a minha casa, agora, é o que eu menos quero fazer.” Sorri, abaixei e meneei a cabeça, abafando um sorriso tímido. “Hey, o que foi?”, ele me perguntou. “Nada. É que fazia aaaaanos que eu não falava este tipo de coisa prá alguém, achei engraçado, só isso.” “Posso me sentir lisonjeado, então?” “À vontade.” “Só me diz em que bairro você mora, vou tentar encontrar um lugar para passarmos a noite que não seja tão longe de lá”. “Moro no Butantã, perto da Raposo.” “Então já sei onde iremos.” Passou a mão na minha coxa e me deu uma piscadinha de leve, todo charmoso.

O começo do caminho foi estranho, tenso. Eu não sabia sobre o que puxar assunto com ele. Como é que as palavras tinham sumido assim do meu vocabulário, meu Deus? O carro só não estava silencioso porque ele ligou o rádio numa rádio Rock que eu adoro. Felizmente, ele percebeu o climão que estava se formando e acabou com aquele silêncio, voltando a fazer perguntas fáceis de responder e, com base nas minhas respostas, a gente conseguia desenvolver alguns diálogos. Na minha cabeça, tudo o que eu queria dizer era quase um discurso de tiete, do tipo “cara, nem acredito que vou passar esta noite contigo, te acho um tesão desde que você cruzou o meu caminho pela primeira vez na frente da máquina de fotocópia naquela terça-feira chuvosa”, mas né? Era melhor segurar os impulsos. Uma asneira dessa certamente assustaria aquele homem deslumbrante. Ele me perguntou para que time eu torço, e fez cara feia quando eu disse que era para o Palmeiras, embora não fosse o tipo de mulher que acompanhasse campeonatos. “ “Uma linda feito você tinha que ser Timão, poxa. Ia virar musa.” “Creeeeedo! Hahahaha, Deus me livre”. E foi assim, com papinhos bestas, que chegamos a um motel do qual eu só tinha ouvido falar bem, mas nunca tinha ido. A fachada não era lá essas coisas, parecia ser até de um lugar breguinha. Mas a suíte que ele escolheu… puta que pariu! Linda! Uma cama gigantesca e deliciosa, hidro para ficarmos os dois esparramados e ainda sobrar espaço… é, eu tinha chegado ali. Com o Márcio. A gente ia se comer. E eu estava sem graça prá caramba.

A história de “Cristiane e Márcio” será publicada um pouquinho por semana, Acompanhe por aqui  😉

Beijos de melar a calcinha

“Oi, moço, tudo bem?” Eu tentei parecer o mais natural possível enquanto pegava meu copo ‘cortesia do destino’, mas minha voz esganiçou e falhei miseravelmente. Se ele percebeu, não comentou. E certamente não percebeu o quanto fiquei vermelha por ele estar perto de mim –  bendita iluminação de balada. “Oi, Cristiane, legal te ver aqui. Pelo menos agora eu sei que temos um assunto para começar uma conversa.” “É verdade”. Sil e Ju estavam olhando para mim com aquela cara de “aproveita”. Fiz as honras “Gente, esse aqui é o Márcio. Ele trabalha lá na TWD. Márcio, essa é a Juliana, e essa é a Silvana”. Honras feitas, beijinhos trocados. O Márcio pegou na minha mão e disse para elas: “Se importam se eu sequestrar a amiga de vocês um pouquinho?” “Claro que não”, responderam as duas em côro, arregalando os olhos e rindo pela coincidência da sincronia. Quase vi um letreiro na testa das duas com os dizeres “entretenha a minha amiga, pelo amor de Deus”. Fingi um olhar bravo para as duas quando ele, de costas, começou a me puxar mais para o meio da pista. A real é que eu ainda não estava acreditando no que estava acontecendo.

Eu não tinha noção de como aquele cara poderia ser fora do ambiente de trabalho. Na verdade, nem sabia como era o Márcio trabalhando no Marketing da TWD – eu nunca dei nenhuma abertura, talvez nunca tenha aproveitado nenhuma oportunidade de estar na mesma ‘rodinha’ que ele. Não dava, simplesmente NÃO-DA-VA. Só sei que foi ele quem começou a puxar assunto, ao pé da minha orelha: se eu ia sempre àquela casa (“é a 2ª vez que venho aqui, fazia tempo que não vinha”, ele me disse), se eu gostava daquele tipo de som, se eu conhecia a balada X e Y que eram do mesmo estilo, se eu gostava do meu trabalho, se eu queria mais uma bebida (a minha tinha acabado – Oh, Deus, ele queria me embebedar! RISOS), “Ainda não, obrigada, baby.” Estávamos cada vez mais perto, uma porque a casa estava enchendo ainda mais (meu Deus, como cabia mais gente ali?!), e outra porque, claro, dava para perceber que ele também estava interessado. Até que, ao som de Lips Like Sugar, ele me perguntou: “Será que tuas amigas não vão se importar se você ficar um pouco mais longe delas?” Só balancei a cabeça negativamente, e quando ia dizer “Não, imagine”, senti uma mão dele me puxando pela cintura mais para perto, a outra puxando meu queixo para cima, um beijo que, se não fosse todo o contexto, não saberia nem de onde tinha vindo. Caralho, que boca gostosa! Ele apertou ainda mais a minha cintura, encostou os lábios na minha orelha e, como se fosse arrancar meu brinco com a boca, falou ao meu ouvido: “Que beijo mais delícia, Cris. Porra!”

Aquela mordida na orelha teve um efeito que há muito tempo eu não experimentava. Era como se ele tivesse ligado um botão em mim, há tempos esquecido. Me arrepiei inteira – até o couro cabeludo, juro. Não sou frígida, reconheço o tesão quando o vejo, quando o sinto. Mas assim, de cara? Em instantes eu percebi a pulsação em minha buceta inteira e aquela delicioso – e embaraçoso – melado na minha calcinha. Até a minha respiração ficou diferente. Da orelha, ele desceu para o meu pescoço, e, segurando-me pelos cabelos da nuca, puxou minha cabeça para trás, beijando meu ombro e meu colo. É, eu estava fudida, não conseguia pensar em mais nada além de sair dali e foder com ele a noite toda. E isso era delicioso, mas não era muito natural para mim.

Eu tinha perdido a virgindade com um namoradinho de verão aos 18 anos. Foi o cara certo e a hora em que decidi. A primeira não foi lá grandes coisas, mas eu gostei muito do prazer que a transa traz. O namoro não durou nem 1 mês, mas dali em diante minha vida mudou. Transava com todo cara com quem eu ficava se ele quisesse, na primeira ou na 10ª vez – quando pintava o clima. Às vezes, me arrependia. Aí conheci o Eduardo, um cara que namorei por 4 anos e, depois dele, sosseguei. Até tive minhas fodinhas por aí e tudo mais, mas nunca na primeira. Nem com o Evandro.

Aí me aparece o Márcio e me faz querer foder gostosos feito uma vadia.

Estava lá, perdida beijos, pensamentos e tesão, quando senti um toque nos ombros. Quando virei para a trás, aquelas duas.  “Cris, a gente vai embora. A Ju já bebeu demais e não está muito bem”. Olhei séria, da Silvana prá Juliana, que me deu uma piscadinha. Safaaaadas, elas estavam mentindo e aprontando prá cima da minha pessoa. “Você vem com a gente, Cris? Desculpa estragar o teu rolê…” Se eu não tivesse percebido a presepada, juro que eu acreditaria naquela cara de cachorro abandonado da Ju. Mordi a boca, pensando no que ia fazer, quando o Márcio se prontificou: “Te levo embora. Podem ir, meninas, a amiga de vocês vai ficar em boas mãos.” “Você não se importa, Márcio?”, perguntou a Sil. “De jeito nenhum, tá muito cedo para eu deixar esta mulher ir embora”. “Heeeey, vocês estão negociando minha volta para casa como se eu estivesse longe, mas ainda estou aqui, viu? Tá certo, eu fico, podem ir. Ju, me manda mensagem amanhã prá me dizer se melhorou, ok?” Beijinhos, tchauzinhos… É sério, eu estava MUITO fudida.

 

beijo na boca

 

A história de “Cristiane e Márcio” será publicada um pouquinho por semana, Acompanhe por aqui  😉

Surpresas de Sábado à Noite

Pelas próximas 4ªs feiras, você vai acompanhar a história de Cristiane e Márcio – mas poderia ser a tua história. Inspire-se!

♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥♥

Eu achava que este seria só mais um sábado morto na coleção de todos os sábados em que quase morri de tédio. Felizmente eu estava enganada. Minhas amigas resolveram me ligar e me convenceram a sair. “Lembra daquela balada que a gente ganhou o flyer na semana passada, na Galeria do Rock? A  gente vai lá! Vai rolar aquele som anos 80 que você gosta e dizem que é cheia de gente bonita. Vem com a gente prá ajudar a ter mais gente bonita por lá?” A Silvana era foda, sabia como ser objetiva e usar os argumentos que me faziam estremecer, logo de cara. A real é que eu já estava de pijama, vendo TV e já tinha até tomado  duas tacinhas de vinho para que o sono viesse mais rápido. Nem lembrava mais do rolê, tinha deixado o flyer em cima da minha mesa, no trabalho, e “grandes merda”, nem li… “Não sei, Sil, já to quase indo dormir…” Nisso, a Ju gritou ao fundo: “Deixa de ser velha, Cris. Até parece que tá doente. Ó, vou cantar aquela música do Matanza prá você: Bom mesmo é ir prá rua mesmo quando está chovendo…” E a Sil disse: “Olha só, sem choro e nem vela. Daqui uma hora a gente passa prá te buscar. Tchau.” Fodeu, né? Terminei de tomar meu vinho em um só gole, levantei do sofá e fui me arrumar.

Estava uma noite fresca, daquela que pouca roupa é exagero, mas muita também é. Coloquei um vestidinho preto que tinha um decote bacana, meia-calça preta, ankle-boot com spikes, meu colar com pingente de crucifixo cheio de pedrinhas. Lingerie bacana à “nunca se sabe”. Fiz maquiagem com olho pretão, passei meu perfume com toque apimentado, fiz bolsinha com carteira, celular e gloss. Foi tudo quase que sincronizado, pois foi o tempo de eu escolher um casaquinho no closet e a campainha da minha casa tocou. “Vai sair, Cristiane?”, minha mãe perguntou, vindo em minha direção. “Sim, fui arrastada.” Rimos. “Dorme em casa?” “Acho que não. Pode dormir, dona Vera!” Dei um beijo na velha. “Vai com Deus, filha.” “Amém”. Saí. Temos este hábito. Vai com Deus, fica com Deus, dorme com Deus… acho fofo.

No carro, Motley Crue e Girls, Girls, Girls

A Ju parecia que já estava bêbada desde tarde, ria feito uma doida. Se não a conhecesse bem, juro que pensaria que aquela alegria toda tinha origem em substância ilícita. “Amiga, aproveita prá paquerar. Nada de baixo-astral, hein? Já passou da hora de você sair deste luto. Aquele babaca não te merecia.” Eu sabia que a Sil dizia a verdade. Eu estava naquele baixo-astral há uns 3 meses. No fundo, eu sabia que não ia dar em nada. Meu namoro com o Evandro durou só uns 2 meses, ele não tinha nada a ver comigo, mas ainda assim eu tinha ficado tanto tempo sozinha antes dele que o fim, embora tenha acontecido por iniciativa minha, tinha me feito mal. Cheguei a ficar melancólica pela simples menção que ela fez sobre o falecido. “Hey, muda essa vibe. Quero você radiante na pista!” Dali em diante fomos conversando animadamente pelo caminho.

Chegamos à casa – uma senhora casa. Na Augusta, paredes vermelhas, ambiente muito charmoso. Naquela noite, anunciava o flyer, eu teria a sorte de ver um famoso locutor de rádio discotecando anos 80 por pouco mais de meia hora. Galera bonita e animada lá dentro, a casa quase que lotada. Ok. Já tinha admirado o panorama de onde eu estava, agora era só me abastecer. Atravessei a pista, fui ao bar, pedi uma bebida dessas coloridas e docinhas, e lá estava eu, voltando com meu drink afrescalhado para perto das meninas, quando o vi. Estava ali o Márcio, com seus quase 1m90 de gostosura, deliciosamente simplão e tesudo numa camiseta preta e jeans, olhando na minha direção. Minha perna ficou mole, coração disparou, mas não desviei o olhar. Só arqueei a sobrancelha e caminhei para encontrar as meninas.

O Márcio é o responsável pelo setor de Marketing da empresa em que trabalho. É de uma beleza original que chega a me faltar palavras para explicar, mas posso resumir: cabeludo de cabelos claros, braço esquerdo com uma fodástica tatuagem de fênix, um olhar mel de Capitu todo sedutor, oblíquo e dissimulado como bem me faz arrepiar. A gente só se conhecia de “bom dia” e afins, mas jamais trocamos palavra – pelo menos até aquele sábado. Tenho certeza de que ele percebia algo uma energia diferente vinda de mim, uma moça sempre falante mas que, perto dele, ficava tímida. Sempre me ruborizei ao vê-lo. Chegava a ser patético.

Voltei para a mesa, visivelmente afetada. “O que foi, Cris? Parece que viu uma alma penada… O Evandro tá aqui, é isso? Quer ir embora?” A Ju vomitava as palavras, mal me dando tempo para responder. Só coloquei o dedo por cima da boca dela, sinal claro de “ cala a boca”. Rimos. “Meninas, aquele gato do Marketing, o Márcio, lembram? Já comentei sobre ele com vocês…” Elas balançavam a cabeça negativamente. ‘Ok, enfim, é um cara que trabalha na minha empresa, o vi na hora em que estava voltando prá mesa. KCT, como é lindo…” “E ele está sozinho?”, me perguntou a Sil. “Não sei, não o vi acompanhado, mas ele pode ter deixado alguma gatinha na mesa e ter feito o mesmo que eu, apenas ter ido pegar algo no bar. Vai saber.”

Dali em diante, juro que tentei parecer normal. Juro juradinho. Mas meu pescoço não parava de mexer, meus olhos não paravam de procurá-lo. Ainda que ele fosse alto, a casa estava lotada demais para encontrá-lo com facilidade. Comecei a deixar a ideia – seja lá qual ela fosse – prá lá, e de repente a pista voltou a ser o lugar mais gostoso da face desta Terra. Tocou Cindy Lauper, Depeche, Oingo Boingo. Estava tocando tudo aquilo que me fazia lembrar a minha infância, e eu me senti deliciosamente aconchegada, dançando despreocupada perto da minha mesa, ora sorrindo para as gurias, ora de olhos fechados, abertos apenas para o meu mundinho… até que ouvi uma voz familiar dentro do meu ouvido. “Tua bebida acabou, comprei mais uma dose.” Tum Tum, caralho, era ele.

bebida-vermelha-dona-pimentinha