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Conselhos e Decisões

Nestes últimos dias, tenho acompanhado uma série de acontecimentos nas vidas de algumas pessoas, algumas delas que têm uma porção gigantesca do amor que sei oferecer, e isso me fez refletir a respeito dos conselhos que damos e das decisões que tomamos.
Penso, como exemplar filósofa de botequim, que a maioria dos conselhos que transmitimos às pessoas são baseados em experiências próprias, boas ou ruins. Por termos vivenciado determinadas situações, uma hora aprendemos a tirar melhor proveito delas, da melhor maneira que conhecemos dentro dos nossos valores e estilo de vida. O resultado pode ser uma blindagem emocional, para nos proteger dos perigos (você pode considerar como perigo qualquer situação ruim que tenha experimentado, como uma mágoa, por exemplo) que já vivemos -, ou um espírito livre e sem reservas, embora consciente e coerente, para aproveitar de forma plena o que for bom.

E aí é que está a grande sacada: uma vez fruto do meio, assimilamos melhor o que passamos na pele. Aí nos tornamos sábios conselheiros, dentro da nossa ótica, sobre tais assuntos.  Acompanhou?

Conselhos e Decisões

Agora vamos pensar em quantas vezes fomos aconselhados para agir de determinada maneira, porque funcionou bem para um amigo, parente ou alguém que nos quer bem “de graça”, mas fizemos exatamente tudo ao contrário do que ouvimos. Em algumas raras vezes, tivemos a sorte de apostar na nossa intuição, apesar dos conselhos contrários, e nos dar muito bem na decisão tomada. Outras muitas vezes, demos com os burros n’água e fomos obrigados a ouvir, rabinho entre as pernas, aquela frase que dá vontade de dar porrada em quem a profere – sabendo que era verdade -: “Eu te disse, não te disse?”

Admito: o melhor conselho é aquele que nunca precisarei dar a ninguém. Porque, pensando igual a mim e tendo passado pelas minhas experiências, a pessoa não tomará outra decisão que não a mesma que eu. E, convenhamos, tecnicamente impossível… além de um mundo chato do KCT, não é mesmo?

Então, se é que há conselhos aproveitáveis, eu tenho alguns a transmitir:

– Não gaste vela com defunto ruim/Não jogue pérolas aos porcos: Se a pessoa não vai com a tua lata, não disperdice teu tempo e tua sabedoria com quem você já sabe que não merece e que, não apenas não vai te ouvir, como vai te ofender como forma de agradecimento. Se a pessoa não quer ser aconselhada, não gaste teu latim;

– Não seja omisso com quem vale a pena, mantendo o respeito: Se não concorda com uma atitude de quem você gosta muito, se pronuncie.  Aconselhe sim, mas jamais imponha que a pessoa pense igual a ti. Lembre-se: você já ouviu conselhos , mas as decisões foram tuas, boas ou ruins;

– Aceite que o teu amor ou simpatia à pessoa não irão protegê-la dos perigos do mundo lá fora. Tanto é verdade que teus pais cansaram de te aconselhar, mas você é fruto das tuas próprias decisões e consequência delas;

– Não vire as costas para um amigo que preferiu, no teu ponto de vista, dar murro em ponta de faca: lembre-se: a intuição dele pode te surpreender. Até porque você também já precisou voltar com o rabinho entre as pernas…

A sabedoria adquirida e o foda-se devem ser usados com equilíbrio. E se quiser seguir algum dos meus conselhos, legal. Se não quiser, ok também. Tua vida, tuas decisões… e o meu respeito a isso tudo 🙂