Beijos na Nuca e Tensão Pré Foda

Fiquei dividida em querer ir embora logo e continuar por ali. Fazia tanto tempo que eu não saía para este tipo de balada que eu simplesmente não queria ir embora. E, para ser sincera, eu estava me divertindo à beça. Uma que, na minha opinião, eu estava beijando o cara mais tesudo daquele espaço. Segundo, admito, minha paixão por músicas anos 80 chega a ser irracional. Lembro-me da infância, das tardes de sábado em que mamãe cuidava da casa ouvindo aquelas músicas, dos dias úteis em que assistia Sessão da Tarde na casa da vovó Alpina. Naquela noite de sábado, nos braços daquele deus, eu estava vivendo algumas emoções fortes e muito distintas, todas sensacionais. Até que a casa foi esvaziando, o DJ já estava colocando músicas que eu não gostava, e os beijos com o Márcio já tinham melado minha calcinha por inteiro.

Por mim, sairíamos dali e iríamos prum motel qualquer, pulguento e cheio de puta e cheiro de perfume barato, só para foder até a hora de dar um bom horário para eu voltar para casa ou até eu ficar assada, o que viesse por último. Mas eu não tinha coragem de confessar isso para ele. Não que eu tivesse me julgando vulgar, mas porque eu já estava sofrendo por antecipação e não sabia como seria trombar com ele nos corredores da TWD na 2ªFeira. Imagine transando. “Mas, garota,” eu dizia para mim mesma “que diferença vai fazer? Vocês já ficaram, já vai ficar um clima diferente. Aproveita!”

Estava lá, entretida em meus pensamentos, quando ele me disse, se espreguiçando: “E aí, linda, vamos embora?“ “Vamos.” Sorri. Seguimos em direção ao caixa e, durante a fila, não trocamos palavra – apenas beijos.  Beijos molhados, com mordidas, algumas de leve, outras que pareciam querer arrancar a boca do outro. Beijos no pescoço, beijos na orelha, beijos na nuca… tínhamos mesmo que ir embora dali. Pagamos a conta, saímos da casa, seguimos em direção ao estacionamento.

Beijo na Nuca

Quando entramos no carro dele – um C3 Chumbo de bancos de couro e cheirando ao perfume dele  -, ele me perguntou, enquanto ligava o carro: “Cris, você precisa ir prá casa direto?” “Não tenho pressa, baby. Prá ser sincera… nem sei o que você vai pensar de mim com a minha resposta, mas acho que ir para a minha casa, agora, é o que eu menos quero fazer.” Sorri, abaixei e meneei a cabeça, abafando um sorriso tímido. “Hey, o que foi?”, ele me perguntou. “Nada. É que fazia aaaaanos que eu não falava este tipo de coisa prá alguém, achei engraçado, só isso.” “Posso me sentir lisonjeado, então?” “À vontade.” “Só me diz em que bairro você mora, vou tentar encontrar um lugar para passarmos a noite que não seja tão longe de lá”. “Moro no Butantã, perto da Raposo.” “Então já sei onde iremos.” Passou a mão na minha coxa e me deu uma piscadinha de leve, todo charmoso.

O começo do caminho foi estranho, tenso. Eu não sabia sobre o que puxar assunto com ele. Como é que as palavras tinham sumido assim do meu vocabulário, meu Deus? O carro só não estava silencioso porque ele ligou o rádio numa rádio Rock que eu adoro. Felizmente, ele percebeu o climão que estava se formando e acabou com aquele silêncio, voltando a fazer perguntas fáceis de responder e, com base nas minhas respostas, a gente conseguia desenvolver alguns diálogos. Na minha cabeça, tudo o que eu queria dizer era quase um discurso de tiete, do tipo “cara, nem acredito que vou passar esta noite contigo, te acho um tesão desde que você cruzou o meu caminho pela primeira vez na frente da máquina de fotocópia naquela terça-feira chuvosa”, mas né? Era melhor segurar os impulsos. Uma asneira dessa certamente assustaria aquele homem deslumbrante. Ele me perguntou para que time eu torço, e fez cara feia quando eu disse que era para o Palmeiras, embora não fosse o tipo de mulher que acompanhasse campeonatos. “ “Uma linda feito você tinha que ser Timão, poxa. Ia virar musa.” “Creeeeedo! Hahahaha, Deus me livre”. E foi assim, com papinhos bestas, que chegamos a um motel do qual eu só tinha ouvido falar bem, mas nunca tinha ido. A fachada não era lá essas coisas, parecia ser até de um lugar breguinha. Mas a suíte que ele escolheu… puta que pariu! Linda! Uma cama gigantesca e deliciosa, hidro para ficarmos os dois esparramados e ainda sobrar espaço… é, eu tinha chegado ali. Com o Márcio. A gente ia se comer. E eu estava sem graça prá caramba.

A história de “Cristiane e Márcio” será publicada um pouquinho por semana, Acompanhe por aqui  😉

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