Beijos de melar a calcinha

“Oi, moço, tudo bem?” Eu tentei parecer o mais natural possível enquanto pegava meu copo ‘cortesia do destino’, mas minha voz esganiçou e falhei miseravelmente. Se ele percebeu, não comentou. E certamente não percebeu o quanto fiquei vermelha por ele estar perto de mim –  bendita iluminação de balada. “Oi, Cristiane, legal te ver aqui. Pelo menos agora eu sei que temos um assunto para começar uma conversa.” “É verdade”. Sil e Ju estavam olhando para mim com aquela cara de “aproveita”. Fiz as honras “Gente, esse aqui é o Márcio. Ele trabalha lá na TWD. Márcio, essa é a Juliana, e essa é a Silvana”. Honras feitas, beijinhos trocados. O Márcio pegou na minha mão e disse para elas: “Se importam se eu sequestrar a amiga de vocês um pouquinho?” “Claro que não”, responderam as duas em côro, arregalando os olhos e rindo pela coincidência da sincronia. Quase vi um letreiro na testa das duas com os dizeres “entretenha a minha amiga, pelo amor de Deus”. Fingi um olhar bravo para as duas quando ele, de costas, começou a me puxar mais para o meio da pista. A real é que eu ainda não estava acreditando no que estava acontecendo.

Eu não tinha noção de como aquele cara poderia ser fora do ambiente de trabalho. Na verdade, nem sabia como era o Márcio trabalhando no Marketing da TWD – eu nunca dei nenhuma abertura, talvez nunca tenha aproveitado nenhuma oportunidade de estar na mesma ‘rodinha’ que ele. Não dava, simplesmente NÃO-DA-VA. Só sei que foi ele quem começou a puxar assunto, ao pé da minha orelha: se eu ia sempre àquela casa (“é a 2ª vez que venho aqui, fazia tempo que não vinha”, ele me disse), se eu gostava daquele tipo de som, se eu conhecia a balada X e Y que eram do mesmo estilo, se eu gostava do meu trabalho, se eu queria mais uma bebida (a minha tinha acabado – Oh, Deus, ele queria me embebedar! RISOS), “Ainda não, obrigada, baby.” Estávamos cada vez mais perto, uma porque a casa estava enchendo ainda mais (meu Deus, como cabia mais gente ali?!), e outra porque, claro, dava para perceber que ele também estava interessado. Até que, ao som de Lips Like Sugar, ele me perguntou: “Será que tuas amigas não vão se importar se você ficar um pouco mais longe delas?” Só balancei a cabeça negativamente, e quando ia dizer “Não, imagine”, senti uma mão dele me puxando pela cintura mais para perto, a outra puxando meu queixo para cima, um beijo que, se não fosse todo o contexto, não saberia nem de onde tinha vindo. Caralho, que boca gostosa! Ele apertou ainda mais a minha cintura, encostou os lábios na minha orelha e, como se fosse arrancar meu brinco com a boca, falou ao meu ouvido: “Que beijo mais delícia, Cris. Porra!”

Aquela mordida na orelha teve um efeito que há muito tempo eu não experimentava. Era como se ele tivesse ligado um botão em mim, há tempos esquecido. Me arrepiei inteira – até o couro cabeludo, juro. Não sou frígida, reconheço o tesão quando o vejo, quando o sinto. Mas assim, de cara? Em instantes eu percebi a pulsação em minha buceta inteira e aquela delicioso – e embaraçoso – melado na minha calcinha. Até a minha respiração ficou diferente. Da orelha, ele desceu para o meu pescoço, e, segurando-me pelos cabelos da nuca, puxou minha cabeça para trás, beijando meu ombro e meu colo. É, eu estava fudida, não conseguia pensar em mais nada além de sair dali e foder com ele a noite toda. E isso era delicioso, mas não era muito natural para mim.

Eu tinha perdido a virgindade com um namoradinho de verão aos 18 anos. Foi o cara certo e a hora em que decidi. A primeira não foi lá grandes coisas, mas eu gostei muito do prazer que a transa traz. O namoro não durou nem 1 mês, mas dali em diante minha vida mudou. Transava com todo cara com quem eu ficava se ele quisesse, na primeira ou na 10ª vez – quando pintava o clima. Às vezes, me arrependia. Aí conheci o Eduardo, um cara que namorei por 4 anos e, depois dele, sosseguei. Até tive minhas fodinhas por aí e tudo mais, mas nunca na primeira. Nem com o Evandro.

Aí me aparece o Márcio e me faz querer foder gostosos feito uma vadia.

Estava lá, perdida beijos, pensamentos e tesão, quando senti um toque nos ombros. Quando virei para a trás, aquelas duas.  “Cris, a gente vai embora. A Ju já bebeu demais e não está muito bem”. Olhei séria, da Silvana prá Juliana, que me deu uma piscadinha. Safaaaadas, elas estavam mentindo e aprontando prá cima da minha pessoa. “Você vem com a gente, Cris? Desculpa estragar o teu rolê…” Se eu não tivesse percebido a presepada, juro que eu acreditaria naquela cara de cachorro abandonado da Ju. Mordi a boca, pensando no que ia fazer, quando o Márcio se prontificou: “Te levo embora. Podem ir, meninas, a amiga de vocês vai ficar em boas mãos.” “Você não se importa, Márcio?”, perguntou a Sil. “De jeito nenhum, tá muito cedo para eu deixar esta mulher ir embora”. “Heeeey, vocês estão negociando minha volta para casa como se eu estivesse longe, mas ainda estou aqui, viu? Tá certo, eu fico, podem ir. Ju, me manda mensagem amanhã prá me dizer se melhorou, ok?” Beijinhos, tchauzinhos… É sério, eu estava MUITO fudida.

 

beijo na boca

 

A história de “Cristiane e Márcio” será publicada um pouquinho por semana, Acompanhe por aqui  😉

Um pensamento sobre “Beijos de melar a calcinha

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