Surpresas de Sábado à Noite

Pelas próximas 4ªs feiras, você vai acompanhar a história de Cristiane e Márcio – mas poderia ser a tua história. Inspire-se!

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Eu achava que este seria só mais um sábado morto na coleção de todos os sábados em que quase morri de tédio. Felizmente eu estava enganada. Minhas amigas resolveram me ligar e me convenceram a sair. “Lembra daquela balada que a gente ganhou o flyer na semana passada, na Galeria do Rock? A  gente vai lá! Vai rolar aquele som anos 80 que você gosta e dizem que é cheia de gente bonita. Vem com a gente prá ajudar a ter mais gente bonita por lá?” A Silvana era foda, sabia como ser objetiva e usar os argumentos que me faziam estremecer, logo de cara. A real é que eu já estava de pijama, vendo TV e já tinha até tomado  duas tacinhas de vinho para que o sono viesse mais rápido. Nem lembrava mais do rolê, tinha deixado o flyer em cima da minha mesa, no trabalho, e “grandes merda”, nem li… “Não sei, Sil, já to quase indo dormir…” Nisso, a Ju gritou ao fundo: “Deixa de ser velha, Cris. Até parece que tá doente. Ó, vou cantar aquela música do Matanza prá você: Bom mesmo é ir prá rua mesmo quando está chovendo…” E a Sil disse: “Olha só, sem choro e nem vela. Daqui uma hora a gente passa prá te buscar. Tchau.” Fodeu, né? Terminei de tomar meu vinho em um só gole, levantei do sofá e fui me arrumar.

Estava uma noite fresca, daquela que pouca roupa é exagero, mas muita também é. Coloquei um vestidinho preto que tinha um decote bacana, meia-calça preta, ankle-boot com spikes, meu colar com pingente de crucifixo cheio de pedrinhas. Lingerie bacana à “nunca se sabe”. Fiz maquiagem com olho pretão, passei meu perfume com toque apimentado, fiz bolsinha com carteira, celular e gloss. Foi tudo quase que sincronizado, pois foi o tempo de eu escolher um casaquinho no closet e a campainha da minha casa tocou. “Vai sair, Cristiane?”, minha mãe perguntou, vindo em minha direção. “Sim, fui arrastada.” Rimos. “Dorme em casa?” “Acho que não. Pode dormir, dona Vera!” Dei um beijo na velha. “Vai com Deus, filha.” “Amém”. Saí. Temos este hábito. Vai com Deus, fica com Deus, dorme com Deus… acho fofo.

No carro, Motley Crue e Girls, Girls, Girls

A Ju parecia que já estava bêbada desde tarde, ria feito uma doida. Se não a conhecesse bem, juro que pensaria que aquela alegria toda tinha origem em substância ilícita. “Amiga, aproveita prá paquerar. Nada de baixo-astral, hein? Já passou da hora de você sair deste luto. Aquele babaca não te merecia.” Eu sabia que a Sil dizia a verdade. Eu estava naquele baixo-astral há uns 3 meses. No fundo, eu sabia que não ia dar em nada. Meu namoro com o Evandro durou só uns 2 meses, ele não tinha nada a ver comigo, mas ainda assim eu tinha ficado tanto tempo sozinha antes dele que o fim, embora tenha acontecido por iniciativa minha, tinha me feito mal. Cheguei a ficar melancólica pela simples menção que ela fez sobre o falecido. “Hey, muda essa vibe. Quero você radiante na pista!” Dali em diante fomos conversando animadamente pelo caminho.

Chegamos à casa – uma senhora casa. Na Augusta, paredes vermelhas, ambiente muito charmoso. Naquela noite, anunciava o flyer, eu teria a sorte de ver um famoso locutor de rádio discotecando anos 80 por pouco mais de meia hora. Galera bonita e animada lá dentro, a casa quase que lotada. Ok. Já tinha admirado o panorama de onde eu estava, agora era só me abastecer. Atravessei a pista, fui ao bar, pedi uma bebida dessas coloridas e docinhas, e lá estava eu, voltando com meu drink afrescalhado para perto das meninas, quando o vi. Estava ali o Márcio, com seus quase 1m90 de gostosura, deliciosamente simplão e tesudo numa camiseta preta e jeans, olhando na minha direção. Minha perna ficou mole, coração disparou, mas não desviei o olhar. Só arqueei a sobrancelha e caminhei para encontrar as meninas.

O Márcio é o responsável pelo setor de Marketing da empresa em que trabalho. É de uma beleza original que chega a me faltar palavras para explicar, mas posso resumir: cabeludo de cabelos claros, braço esquerdo com uma fodástica tatuagem de fênix, um olhar mel de Capitu todo sedutor, oblíquo e dissimulado como bem me faz arrepiar. A gente só se conhecia de “bom dia” e afins, mas jamais trocamos palavra – pelo menos até aquele sábado. Tenho certeza de que ele percebia algo uma energia diferente vinda de mim, uma moça sempre falante mas que, perto dele, ficava tímida. Sempre me ruborizei ao vê-lo. Chegava a ser patético.

Voltei para a mesa, visivelmente afetada. “O que foi, Cris? Parece que viu uma alma penada… O Evandro tá aqui, é isso? Quer ir embora?” A Ju vomitava as palavras, mal me dando tempo para responder. Só coloquei o dedo por cima da boca dela, sinal claro de “ cala a boca”. Rimos. “Meninas, aquele gato do Marketing, o Márcio, lembram? Já comentei sobre ele com vocês…” Elas balançavam a cabeça negativamente. ‘Ok, enfim, é um cara que trabalha na minha empresa, o vi na hora em que estava voltando prá mesa. KCT, como é lindo…” “E ele está sozinho?”, me perguntou a Sil. “Não sei, não o vi acompanhado, mas ele pode ter deixado alguma gatinha na mesa e ter feito o mesmo que eu, apenas ter ido pegar algo no bar. Vai saber.”

Dali em diante, juro que tentei parecer normal. Juro juradinho. Mas meu pescoço não parava de mexer, meus olhos não paravam de procurá-lo. Ainda que ele fosse alto, a casa estava lotada demais para encontrá-lo com facilidade. Comecei a deixar a ideia – seja lá qual ela fosse – prá lá, e de repente a pista voltou a ser o lugar mais gostoso da face desta Terra. Tocou Cindy Lauper, Depeche, Oingo Boingo. Estava tocando tudo aquilo que me fazia lembrar a minha infância, e eu me senti deliciosamente aconchegada, dançando despreocupada perto da minha mesa, ora sorrindo para as gurias, ora de olhos fechados, abertos apenas para o meu mundinho… até que ouvi uma voz familiar dentro do meu ouvido. “Tua bebida acabou, comprei mais uma dose.” Tum Tum, caralho, era ele.

bebida-vermelha-dona-pimentinha

Um pensamento sobre “Surpresas de Sábado à Noite

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