Dia do Ex: Rompimento e Vida que Segue

Anos atrás, quando o relacionamento deveria ter terminado, deixamos um elo financeiro que, volta e meia, me obrigava a manter contato com meu ex. Ele tinha sido o que eu, até então, chamava de “melhor namorado que eu tive”. Fui a primeira namorada dele – dessas que um homem com mais de 30 anos resolve, pela primeira vez, apresentar para os pais. Tínhamos sido excelentes colegas de trabalho, gostávamos um do outro “de graça” e, um dia, ficamos. Foi tudo tão bom para os dois que decidimos que seria o primeiro de muitos dias juntos. E foi assim, durante aproximadamente 1 ano e meio, quando peguei uma traição que me desestruturou – e, comigo, desestruturou também o nosso namoro. Ainda assim, eu continuei gostando dele por muito tempo. Eu teria voltado com ele, se fosse para ser, mas deixei bem claro que não haveriam revivals. Ou era tudo, ou não seria nada.

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Muito perto da época em que, finalmente, conseguimos encontrar uma maneira de nos desvincular daquilo que nos prendia financeiramente, acabamos percebendo que ainda havia entre nós um vínculo emocional. Nessa de precisarmos nos falar com uma certa frequência, nos demos conta de ainda havia um grande carinho, e mais do que isso, entre nós dois. O problema é que ele já tinha seguido o caminho dele, feito suas escolhas e, com elas, sido pego de surpresa com uma notícia – sua namorada estava grávida. Naquele momento novamente a minha ficha caiu – o que tinha ficado no passado era assunto do passado, o presente não iria mudar. Confesso que acabei ficando com ele depois disso, como forma de, talvez, fazê-lo tomar uma decisão que pudesse “me beneficiar”. E, claro, ele não saiu da sua zona de conforto – hoje consigo compreender que o melhor mesmo é que a criança nascesse num lar com pai, mãe, cachorro, papagaio…

Um dia antes de eu assinar o contrato que nos libertaria de vez, ele foi à minha casa. Conversamos sobre a vida, sobre o que significávamos um para o outro. Ele tentou me beijar e, com muita tristeza, virei o rosto. Reforcei para ele, como eu disse antes – inclusive neste relato -, que ou era tudo, ou era nada. Disse que eu tinha mais que um beijo para dar: tinha uma vida, uma história. Porque não sou mulher de virar escape de cara com problema conjugal. Aquele “deslize” na verdade tinha seu propósito, que era fazê-lo pensar sobre nós dois. E, se ele havia pensado, e decidido continuar com a vida que estava levando, eu estava fazendo a minha parte, que era de aceitar a decisão dele e não atrapalhar a sua vida.

Não nego que eu sinto falta da amizade dele. Nunca, nem enquanto namoramos e nem durante este período que comentei nestas linhas, nós brigamos. Tivemos algumas discussões, claro, o rompimento não foi a coisa mais tranquila do mundo… mas, ainda assim, ele foi um grande e bom amigo. A última vez que nos falamos foi no aniversário dele, e por e-mail. Talvez nos falemos no meu aniversário. Talvez. Se não nos falarmos, amém também. O ciclo fechou, a história se acabou.

Não tenho raiva, não o odeio, sabe? É claro que me lembro o quanto sofri – eu lambi o fundo do poço e o lodo que tinha por lá. Achei uma puta cachorrada o chifre que levei, porque sei que tipo de namorada eu fui… mas estou longe de acreditar que existam relacionamentos perfeitos. Não havia naquela época, não haverá depois. Não vou sair por aí dizendo que hoje, passados alguns anos, eu aprendi a aceitar, numa boa, que a pessoa esteja comigo saia por aí ficando com outras pessoas. Não aceito, não fui feita para viver em relacionamentos abertos, não sei conviver com a lembrança (ou ideia remota) de a pessoa que eu amo ser tocada em partes de seu corpo que, nos meus valores, só eu posso tocar. Sou ciumenta – a meu modo. A exclusividade me coloca num falso porto-seguro, no qual ainda gosto de me ancorar.

Tudo isso foi para dizer para você, que me lê, que a tua vida deve seguir adiante quando os ciclos terminam. Eu sei que não é fácil, muitas vezes é doloroso, mas ainda assim você deve ser a pessoa mais importante na história da tua vida. Eu poderia ter agido diferente, ter me mantido presa ao ex de corpo e alma – porque sei que minha alma se manteve presa, por mais que eu não aceitasse isso -, mas aí teria me tornado a puta do ex. Não qud eu me sinta melhor do que outras pessoas por ter decidido isso, mas não sirvo para me prestar a este papel. Não sirva você também. No fundo, você sabe que vai criar expectativas, se frustrar e sofrer.

É preciso perceber a hora de romper os laços que nos prendem ao passado, de verdade, e seguir adiante. Ex bom é aquele que a gente enterra no cemitério do passado, faz missa de sétimo dia, e fim. Porque não se pode esperar que a vida da outra pessoa dê errado para que a sua, com esta pessoa, comece a dar certo. A mão se machuca depois de tanto murro em ponta de faca, uma hora fica insuportável.

Hoje minha vida já deu uma bela e feliz virada, e sinto que foi necessário que este elo se rompesse para que tudo começasse a caminhar de verdade. Rompa os teus o mais breve que conseguir. É a vida que segue.

5 pensamentos sobre “Dia do Ex: Rompimento e Vida que Segue

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  3. Acho que todos deveriam ler esse texto. Ainda mais nós, mulheres, com nosso jeito de acreditar que tudo vai mudar, que ele vai mudar, que vai perceber, que vai acordar e etc.
    Feliz é a hora que descobrimos: fechou o ciclo, adeus.
    Foi a minha melhor hora também.

    Parabéns pelo texto, Pi!

    Beijos!!

  4. Pingback: linkssssss #0026 — Links da semana | Uma Loucura De Cada Vez

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