Carta para o moço da HD883

 

Eu me lembro bem do primeiro dia em que te vi, te desdenhei e fui embora para casa cheia de vontade. Você é um cara lindo e muito bem articulado, tem tanta alegria nos olhos e um inconfundível olhar geminiano de quem confia em si mesmo.

Eu sou aquela mulher, também geminiana, que fingi não te querer. Que te reprovou com o olhar quando você brincou sobre a possibilidade de dormirmos juntos naquele dia – e nós nem estávamos ficando. Mas eu também sou aquela menina que ficou ansiosa aguardando por revê-lo, fazer piada da tua brincadeira, experimentar o teu beijo.

E, quando nos revimos, nossos olhos brilharam no mesmo tom. E eu sei que, como cidadãos experientes deste mundo – que somos-, esperamos a hora certa de nos afastarmos de nossos amigos e ficarmos estrategicamente por perto.  E mais perto. E mais perto. E conversar sobre coisas da vida, sobre motos estradeiras, sobre o AC/DC que você tanto gosta. E eu me lembro de cada sorriso que você deu, o jeito de movimentar o teu corpo. E me lembro de olhar para os lados, e perceber não haver mais ninguém da turma por perto. Só nós dois.

Não consigo me esquecer do teu olhar reprovando meu refrigerante e, cavalheiramente, me pagando aquele drink – o Black Sabbath – que eu tinha gostado de experimentar no copo de nossa amiga em comum. Ela, com cara de espanto, disse-me que você nunca tinha pagado drink para ninguém. Ela já torcia por nós dois. Isso você não sabe.

Eu me lembro do nosso primeiro beijo, com mordidas, você me pegando com uma mão pela cintura e, com a outra, puxando os meus cabelos. Não me esqueço do movimento do teu corpo que fazia com que o meu se arqueasse. Você me fez ficar molhada até as coxas. Até hoje só você fez isso.

Então fomos embora, você me deixaria em casa, mas nossos beijos foram tão loucos e deliciosos que não resisti a todo aquele tesão que você me provocava. Eu deixei você me masturbar no teu carro, eu te chupei de propósito, só pelo gosto de ouvir você gemendo, e dizendo baixinho o quanto o meu boquete é bom, porque eu sei que é.  E dali, da frente do meu prédio, decidimos passar o resto da noite juntos num motel por perto.

Eu me lembro do teu olhar de safado enquanto me despia, dos beijos nos meus ombros e das mordidas em meus mamilos. Lembro-me, também, de você me chupando, procurando meus olhos como quem estivesse me perguntando “está bom?”, e eu respondendo o quão bom era o jeito de você chupar minha buceta. E então eu decidi que era minha vez de te dar prazer oral e te fazer um boquete ainda mais caprichado agora que você estava nu e era todo meu. E cada suspiro, e cada gemido, e cada um dos elogios que eu recebia MERECIDAMENTE me faziam ficar cada vez mais vaidosa. Você segurava meus cabelos longos e me dava alguns tapas, me chamava de vadia e de qualquer outra coisa que eu mesma pedia.

Você deve se lembrar, tanto quanto eu, do momento em que eu decidi que era hora de transarmos, que sentei no teu pau e ali fiquei reinando até que a minha perna se cansasse. Foi então que me deitei e você me fodeu com minhas pernas para cima, me fazendo sentir prazer como eu sequer conseguia, antes de nosso primeiro beijo, imaginar que você faria.

E quando a foda acabou, dormimos, abraçados. E quando o sono acabou, transamos de novo, antes de irmos embora daquele lugar que foi o nosso santuário do prazer.

E antes de me deixar em casa, caminhamos pela feira de domingo, comemos pastel, bebemos caldo de cana, e ríamos como dois adolescentes idiotas, e nossos olhos brilhavam mais que a luz de mil faróis juntos.

Pode parecer uma besteira, mas fazia tempo que eu não sentia que o sexo seria só o começo. Eu nunca consegui entender o que falhou depois disso. Tínhamos tudo para dar certo. Havia torcida para isso – talvez esse tenha sido o problema. Nos falamos algumas vezes… mas, quando me reviu, não me quis. Você me baniu da tua vida, foi-se embora sem dar a oportunidade de, quem sabe, sermos felizes juntos. E eu também não consigo entender por que você mexeu tanto comigo, por que registrei em minha memória e nem por que me importo tanto com cada um dos detalhes dos poucos momentos que passamos juntos.

HD883

11 pensamentos sobre “Carta para o moço da HD883

  1. Bom texto Pi, porem um romance triste. As vezes o problema é a intensidade. Homem morre de medo desse sentimento. Infelizmente! Mas esta sempre escrcrevendo muito bem. *_*

    • É, gata… mas este texto foi um desabafo mesmo, sem uma gota de ficção. Já que nunca consegui dizer isto para o cara, que mexeu demais comigo, eu resolvi escrever da melhor forma que sei fazer aqui.
      Mas obrigada pelos elogios a respeito do texto =)
      Bjss

  2. Impressionante o paradoxo entre a sutileza do desejo e voracidade do tesão que trazes em teu texto. Gostei muito. Parabéns e sucesso!

    • Para você ver quão intenso foi e por que mexeu tanto comigo, linda. Essa é uma cartinha mesmo, um texto que decidi fazer já que não consegui conversar com o ser. Tudo é real.
      Obrigada. Leia os outros textos. São de morder o canto da boca 😉
      Bjss

  3. Entendi mesmo como um desabafo em forma de devaneio e, certamente, com uma boa dose de saudade. Escrevendo você ilustrou aquilo que está ainda intenso em sua mente. E o que ficou é exatamente isso: a intensidade. Não só sexo, mas a intensidade de tudo. Ótimo texto, atiçou a imaginação.

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