Meu sagrado cigarro

Que dia dos infernos. Corrido prá caralho, cliente ligando o tempo todo, mil propostas para fazer e ajustar até os filhos duma puta de um novo cliente finalmente aceitarem uma tabela com valores que eles julgavam “adequados” para fretes. Vai se foder, cara, querem que a gente tenha 98% de performance nas entregas e não aceitam pagar um preço justo por isso. Tem cliente que trata prestador de serviço como uma puta, quer pagar uma mixaria para gozar gostoso.

Eu percebi já tinha passado das 11hs e eu ainda não tinha nem conseguido levantar da cadeira, beber uma água, mijar. Não tinha fumado nenhum cigarro desde às 08hs, hora em que comecei a trabalhar. Eu precisava parar um pouco, respirar, esticar as pernas. Peguei um café forte e desci para “beber meu sagrado cigarro”.

Nessas horas em que a gente consegue finalmente parar um pouco é que dá para pensar em coisas que não têm ligação com empresa, cliente, proposta. Eu comecei a lembrar da conversa que tive ontem de noite com a minha esposa – e que rendeu coisa prá caramba.

A gente se casou faz menos de 6 meses, e talvez ela mantenha alguns hábitos bem interessantes por conta desse pouco tempo sob o mesmo teto, sei lá. Só sei que eu piro na minha mulher, cara. Ela é uma baita de uma gostosa, um pouco mais baixa que eu – tem 1m75 -, cabelo preto até a cintura, branquinha, uma gueixa tatuada que pega as costas todinhas, 25 aninhos, um rabo perfeito. Um puuuta de um filé. Trabalha como professora infantil concursada, atende apenas um turno, chega cedo em casa e não posso reclamar de nada – eu chego e sempre tem comida pronta, ela está linda e cheirosa. Não sei se é sorte minha, mas ela odeia sutiã e calcinha – exceto quando é para me mostrar e eu admirar, claro. Chega, toma o banho, coloca uma roupa que, como ela mesma diz, “é para deixar a esposinha confortável, mas deixar o maridinho de pau duro”. Como consegue isso?! Tudo meu, rá! E claro, curte Rock assim como eu. Não sou nem burro de aprontar com essa mulher.

Ontem eu cheguei em casa e, depois que jantei, peguei uma cerveja e me esparramei em minha poltrona de TV. Queria me desligar um pouco; eu tinha me estressado com um relatório que não fechava nem fodendo, larguei tudo e fui embora, quase às 09hs da noite. Eu queria tomar um banho logo, transar e dormir. E, cara, minha esposa é foda, ela percebe essas coisas. Chegou por trás da poltrona que eu nem percebi, começou a conversar comigo, já com a mão sobre meu pescoço, abrindo minha camisa, me fazendo uma massagem. “Baby, só agora, juntinhos, é que dá para entender esse stress todo que você passa. Engraçado… mesmo que tenhamos namorado por três anos, como não estávamos na mesma casa, eu não podia imaginar o quanto você fica tenso por causa do teu serviço nesta época do ano.” Ela abaixou para olhar nos meus olhos. “Relaxa, baby, pelo menos um pouquinho, vai? Pôxa.” Eu só disse um “é foda”. Então ela voltou para trás da poltrona e continuou a massagem.

“Sabe, eu estava pensando… se eu trabalhasse contigo, com certeza você não ficaria tão tenso assim durante o dia”. Olhei para cima e ela estava com aquele sorrisinho malvado no canto da boca. “Pensa só: eu te levaria suquinho, te daria carinho, faria massagem…”, e colocou um pouco mais de pressão na massagem “também te faria uns agradinhos sexuais durante o dia.” Neste instante ela pulou em meu colo e olhou no fundo dos meus olhos. “Já pensou, baby? Você está lá, estressado, me chama, vou, com todo carinho, abaixo sua calça e – uau – você ganha um boquete?”

“Aaaaaaah, sua diaba! Me mostra, como é que você faria, hein?”. Meu pau estava duro só ao imaginar. Cara, a boca da minha esposa é um tesão. Quente, molhada, faz um boquete babadinho como eu nunca tinha recebido antes – e olha que não recebi poucos, mas o dela… caralho, não, não tem igual. Posso dizer que ela me prendeu pela boca, literalmente.

Ela pediu um instante, e em menos de 5 minutos voltou dentro de um elegante vestido, salto alto, cabelo preso por um coque e uma maquiagem que passou rapidinho. “Me chamou?”, ela perguntou num tom extremamente formal, mas com um sorriso que eu já bem conhecia. “Sim”, respondi igualmente sério, entrei no jogo dela, “estou precisando de um boquete”. Ela então se ajoelhou à minha frente, abaixou o zíper da minha calça, acariciou meu pau por fora da cueca – que, claro, estava duro – e o colocou para fora.

Ela começou lambendo ele todinho, como se fosse um sorvete, das bolas até a cabeça. Vadia, ela sabe o quanto adoro que ela faça isso. Só tive a reação de erguer a cabeça, fechar os olhos e dar um gemido baixo. E então ela, com aquela boca quente, começou a abocanhar meu pau. Olhei para ela, soltei o coque e comecei a afagar seus cabelos, e imediatamente minha putinha olhou em meus olhos. Que visão linda. Sempre linda. Ela mistura naqueles olhos azuis um semblante de menina encabulada, colegial safada, mulher decidida. “Tá gostoso, minha vadia?” Ela só piscou, assentindo. Ela então aumentou a pressão com sua boca, como se quisesse engolir a minha rôla, entre movimentos suaves e decididos a me fazer gozar. De vez em quando, acariciava minhas bolas. Outras vezes, voltava a me lamber como um picolé. Outras, ainda, segurava o meu pau numa punheta e lambia só meu saco. Tirei a sorte grande, puta que pariu!

Como o dia tinha sido corrido, nem tinha dado tempo – e nem vontade, prá ser sincero – de tocar uma bronha. Ou seja, ela não precisou ficar muito tempo ajoelhada, porque o gozo veio rápido e forte. Ela voltou a me chupar, dessa vez com mais pressão e mais perto da cabeça do meu pau. E eu gemi: “Caralho, amor, vou gozar. Caralho, caralho!” e gozei naquela boca sensacional, um gemido que veio do fundo da alma. Ela bebeu tudinho.

Meu cigarro já tinha acabado e voltei para a minha sala. Aquela sala vazia. Foda. Ai, se ela estivesse comigo para aliviar o stress desse dia dos infernos…

31 pensamentos sobre “Meu sagrado cigarro

  1. nossa, fantástico texto, me causou uma reflexão enorme, sobre o prazer de viver com alguém amada e desfrutar de bons momentos juntos, deu até uma vontadezinha de casar, mas acho que morar junto está de excelente tamanho. rs

      • não precisa nem que ela tenha nem olhos azuis, se gostar de rock já vale!rs

        sim, acho que não custa tentar, um dia, em breve.

        bem legal sua narrativa, você possui uma caraterística interessante que envolve o leitor e isso não é fácil de atingir.

        preserve essa e demais qualidades ditas pelos demais, parabéns.

  2. Show!
    Texto gostoso, descontraído, que desce fácil. É o primeiro conto da Pimentinha que leio, e me arrependi de não ler antes. Curti, não pela sacanagem, mas pelo estilo de escrever (ok pela sacanagem também!). Escreveu tão bem, que me deu duas sensações:
    1ª) Abduzido pelo texto… só percebi que era um texto quando acabou, parecia um filme, era como ver a história se desenrolando.
    2ª)Ela é ela mesmo? Ela soube escrever de modo a dar a sensação de ser realmente um homem, como se tivesse vivenciado a cena. (Não há dúvidas que ela é ela, claro!)
    Parabéns pelo Conto. Ganhou um leitor com ele! \o/ eu!

  3. Vontade de uma cara assim, que reconhece todas as qualidades da mulher amada. Sexo com amor é o que ha de melhor. Mais um conto super bem escrito. Parabéns, Pi.

    • Obrigada, gata!
      Tentei mostrar algumas situações, começo de casamento e pique total, e também uma visão de “mulher perfeita” – cá para nós, o boquete, em casa mesmo, é perfeitamente possível.
      Bjss

  4. Meus parabéns meu velho.. quer dizer, minha cara! Estou impressionada com a sua capacidade de adentrar tao bem na perspectiva masculina. Realmente parecia um puto de um sortudo q tava narrando. A história é realmente muito boa, do tipo q qnd gruda o olho, só consegue parar de ler qnd chega ao fim. Fiquei com um puto de um T e vou ter q dizer q me arrepiei legal na cena da gozada. Muiito foda! Ps: considere a possibilidade de de escrever um conto mais longo e com mais trepas. Certeza q lerei avidamente. Bjoks!

    • Gata, obrigada pelo elogio. Conviver com muitos amigos homens me ajuda bastante a enriquecer o dialeto, rsrs
      Dê uma passadinha nos outros contos. Alguns têm mais detalhes. Esse foi só para falar de um fetiche que muitos caras que eu conheço têm: o boquete durante o expediente.
      Bjss

  5. É, eu ainda acho que deveria largar a sua profissão atual e mudar para escritora de pornoromance.
    Queria uma assim . sniff sniff sniff

    beijão

  6. Mais um conto delícia, Pi! Acho que realmente todo homem quer uma dessas… Mas também que muita mulher quer um homem desse! 😉
    Adoro os contos, lindona! Vc escreve muito bem e prende o leitor dum jeito que não dá pra não terminar de ler… Assim como dá vontade de ler o resto do blog todo… hehehe

    bjo

  7. E há ainda aqueles que temem o casamento. Eu, por outro lado, sempre o imaginei assim. Uma troca constante, cumplicidade, sintonia. É saber do que o outro precisa e dar, não por obrigação, mas por amor, por prazer, pela busca do equilíbrio. O texto é muito bem escrito não só por exacerbar a sensualidade, mas por nos fazer sentir essa cumplicidade. E a Pimenta escreveu um homem tão perfeito em seu papel que talvez poucos homens o fizessem com tanta honestidade. Parabéns pelo conto! 🙂

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