Os Caras da Estiva – Uma Homenagem ao Novinho

A brilhante diferença entre nossas habilidades e as deles. Agora estou falando das habilidades físicas. É. Eu vou fazer pose de mulherzinha e comentar sobre a maravilhosa capacidade que eles têm, melhor do que a maioria de nós – de mim, certamente, podem apostar – de pintar o apartamento, de trocar a lâmpada, de querer consertar os eletrodomésticos (onde já se viu, pagar R$ 10,00 para alguém fazer ‘meia-boca’ o que ele faz ‘meia-bomba’ sem custos?) e de carregar caixas pesadas como quem carrega penas. Caixas de penas.

Os vi trabalhando numa madrugada. Uns 10. Estivadores. Pegavam as caixas do chão e colocavam nos caminhões. Parecia fácil demais para eles, altos, geralmente fortes – ou gordinhos -, faziam o trabalho do dia-a-dia (ou da noite-a-noite) sem o menor esboço de um sofrimento que, certamente, teria me consumido, no lugar deles.

Homens carregam peso. Mulheres fazem manuseio. Homens pilotam empilhadeiras. Mulheres lacram os envelopes. Para mim essas diferenças entre as habilidades de cada gênero foram sempre óbvias, mas elas teimaram em queimar os sutiãns.

Se um dia eu dividir um espaço com um homem, vou deixar para ele atividades como “lavar o carro”, “comprar a carne do churrasco”, “encher a geladeira com a cerveja preferida (dele) e de Smirnoff Ice (minha)”. Obviamente que ele terá de lavar o banheiro, afinal isso foi aprendido no serviço militar obrigatório, e um talento como estes não pode ser desperdiçado assim, sem motivos.

Fiquei fascinada pela atividade dos “meus rapazes”. Não é à toa que me envolvi com um que faz exatamente este tipo de trabalho. Acho sexy. Eles mostram a força que têm e eu imagino o meu novinho me carregando no colo com a maior facilidade do mundo. Provavelmente, se eu estivesse no começo da era humana, ficaria excitadíssima ao ver o meu homem trazendo a caça abatida ao final do dia, e vibraria com ele. Ok, está soando idiota.

O fato é que são 3hs passadas. Era 3ª e já faz um tempinho que é 4ª feira. E estou vendo, daqui, os “meus meninos”, andando pelo galpão, caixa acima, volta ao chão, braço forte, suor formando, me pega pelo cabelo, me arrasta para a caverna. Ops, preciso dormir. Sono. Dera eu fazer “ploft”.

Em nota: “Os Caras da Estiva” foi escrito em 5/1/2011, numa dessas madrugadas em que trabalhei MUITO. O texto foi elaborado com base em uma análise real.

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