Tesão em Gotas

Eu fechei os olhos e tive uma sensação gostosa. Aquele cheiro, inconfundível, era do perfume que ele usava – e ali, em meio à faixa de pedestres, alguém passou com o mesmo cheiro dele.

Não era um perfume forte. O maravilhoso cheiro que vinha dele era uma mistura de sabonete e essência amadeirada, de banho tomado, pessoa limpa, loção pós-barba. Era um cheiro de homem que eu nunca senti antes – e eu imaginava que jamais sentiria novamente. O cheiro dele tinha o poder de me tirar dos eixos. Eu enlouquecia quando fungava seu pescoço, tinha desejo de rasgar suas roupas.

Lembrei-me especialmente de um sábado gostoso em que decidimos ir a uma casa de Rock no Tatuapé. Era um lugar escuro, Classic Rock rolando a mil. Dizem por aí que, antigamente, era uma boate que apresentava sexo explícito no palco. Isso explica o louco tesão que possui, inexplicavelmente, os freqüentadores do local, garantindo o emprego dos seguranças – afinal, de tempos em tempos eles são obrigados a acabar com a euforia e casais mais atrevidos, que se pegam por TODOS os escurinhos “mais escuros” que se possa imaginar.

Tudo era muito excitante – o rock e o desafio de não ser pego, literalmente, com a boca na botija. Ele começou a roçar a barba no meu pescoço, e lá fui eu, sentindo aquele cheiro que me colocava em transe, uma espécie de cio. Meu Deus, que cheiro era aquele? Feromônio? Testoterna? Tesão em gotas?!  Era cheiro que me deixava vulnerável. Era um outro ser que me dominava. E esse ser era dependente de sexo. E esse ser queria sexo. Ali. Naquele momento.

Comecei a beijá-lo com desespero e em segundos fiquei molhada – cachoeira era pouco –, com a respiração ofegante. Tudo ficou ainda mais complicado poucos minutos depois, quando ele percebeu exatamente o meu grau de tesão, e abaixou minha blusa “tomara que caia” e começou a beijar meus seios, enquanto a habilidosa mão foi parar dentro da minha calcinha e me masturbava. Praticamente dedos de anjo. Não, eram dedos do capeta, isso sim! “Vagabunda!”, ele sussurou ao meu ouvido. Como eu gostava quando ele me dizia sacanagens.

Aquela cena era até que discreta, se comparada a tudo o que se passava na minha cabeça. Por mim, ordenava à banda que me cedesse um espaço no palco para foder ali, na frente de todos, em todas as posições existentes – e desencadear na platéia um festival de promiscuidade, orgia e luxúria, estilo Matrix 3. Eu tinha que encontrar um canto, um escurinho, um abismo – por todos os anjos caídos! -, qualquer lugar em que pudéssemos nos meter e, ali, saciar o tesão que nos consumia.

Encontramos um banheiro, sem nenhum segurança por perto, e entramos. Rapidamente abaixei calça, calcinha, e ele começou a me chupar, língua no grelo, um dedo na minha buceta e outro no meu cuzinho. Um jeito que só ele sabia fazer. E um jeito que ele sabia muito bem que me fazia gozar. Abaixei a calça dele, peguei com carinho a sua rola – dura feito uma barra de ferro – e fiz um rápido boquete para ele. Olhando em seus olhos, falei “Desculpa, mas não podemos demorar muito por aqui e quero MUITO transar. A idéia de correr o risco de ser pega no flagra está me excitando tanto, você não pode imaginar.”.  Ele enfiou o seu pau – que era só meu – na minha buceta encharcada e me fodeu feito um cachorrinho. O mais gostoso era poder gemer feito dos animais, como sempre fazíamos, sem a menor preocupação – com aquela barulheira toda lá fora, ninguém nos escutaria. E só paramos quando ele gozou, porra quente escorrendo pelas minhas coxas.

Quanto tempo ficamos ali? 5? 10 minutos? E ninguém, absolutamente ninguém, bateu na parta ou esperava do lado de fora para usar o banheiro. Saímos os dois com cara de safados, ar de “acabamos de transar, obrigada por perguntar” e voltamos para a plateia, onde Black Sabbath Cover se apresentava.

Pisquei forte. Eu ainda estava atravessando a faixa de pedestres, a lembrança passou rápida como um filme em minha cabeça. O “moço do cheiro” eu já nem sabia mais qual rumo havia tomado na avenida. E o moço da minha lembrança há anos eu não tinha notícias. Mas, daquele cheiro, definitivamente, nunca me esqueci.

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